O Papa e o anseio pela santidade …


Em pouco menos de 24 horas, Portugal teve a visita de um papa. As transmissões televisivas que acompanharam esta visita foram, cada qual, a meu ver, identificadora de uma mesma ânsia comum: o desejo por ver e conhecer mais e melhor, este tão falado “santo homem de paz”, “bispo vestido de branco”, o Papa Francisco.

Apesar deste nosso mundo atual buscar retirar a religiosidade ou mesmo minimizar o papel de Deus na sua história, ainda existe uma vontade de encontrar-se homens e mulheres santos, ou pelo menos ainda, anseia-se que é possível encontrar-se nos nossos tempos algum resquício de santidade…

Não me refiro só ao facto da terem sido canonizados dois pastorinhos, ainda crianças, não mártires, às quais apareceu a Virgem Maria, e que humildemente aceitaram o pedido desta,  de oração e sacrifício por todo o mundo, num tempo em que a primeira guerra mundial iniciava um século sangrento na história da humanidade.

A questão aqui, não menos importante, que procuro também ressaltar, é que aquela figura de branco, a quem chamamos Papa, motivou uma crescente onda de interesse, não só por crentes ou aficionados, mas também por aqueles que se dizem ou que demonstram seu ateísmo ou anti-clericalismo, ou qualquer outro anti que queira colocar em sua opção religiosa de vida.

O que mais me impressionou nesta visita do Papa Francisco é que a sua pessoa, à parte de ser autoridade da religião católica, é considerada antes de mais, pela maioria dos que falam dele, como uma pessoa de paz e de concórdia, esteja aonde ele estiver e seja para onde ele for.

O Papa Francisco não se incomoda com perguntas difíceis, nem com questões políticas ou constrangedoras à própria Igreja católica, pois ele mesmo, fazendo parte da mesma, assume para si mesmo, tanto os erros como os seus acertos, mesmo que estes sejam menos divulgados, e assim, humildemente abre espaço à comunicação para com todos.

Esta comunicação para com todos submete o Papa Francisco a uma constante mira dos média em torno da sua figura pública, ao que ele corresponde com gestos simples, sem mudar a sua rotina diária de pessoa do dia-a-dia, sem qualquer vontade de se transformar em algo inatingível ou completamente perfeito.

O Papa Francisco, aliás, assume para si mesmo, sempre uma posição de extrema humildade que desconcerta e inquieta a todos.

Ontem, ao vê-lo diante de tantas autoridades políticas, a sua posição foi sempre humilde, de cabeça baixa, com mãos sempre prontas a agradecer, e com um sorriso que acompanha o seu olhar, sempre em direção a quem lhe vem ao encontro.

O Papa Francisco preocupa-se muito mais com quem se aproxima, do que, pelo que ele é, ou o que representa.

E depois, foi notório, após estar com todas aquelas figuras ilustres, com as quais esteve no início da sua visita a Portugal, o seu sorriso e um renovar de forças aflorarem muito mais, quando, finalmente, estava no meio da multidão anónima que aguardava por ele.

Para o anonimato dos pobres, doentes, pequenos e excluídos, o seu olhar reluz muito mais fortemente.

Se estamos acostumados a ver os aplausos para os famosos e os que têm posições ilustres, este Papa Francisco, assim de uma maneira simples, reafirma o que ele valoriza, como o essencial, que devemos prestar mais atenção às periferias da existência humana.

Estas periferias da existência humana, que os média esquecem, que as autoridades políticas escondem, que até mesmo os grupos religiosos, por vezes, não acolhem com a mesma dignidade.

Uma das caraterísticas dos três pastorinhos de Fátima, pelos vários documentários que vi, nestes últimos dias, e outros artigos bibliográficos, que li, na busca de pintar os seus retratos, como artista, é que eles, historicamente, eram apenas e simples pastores, quase analfabetos, sem qualquer motivo humano para serem escolhidos para algo “tão grande” como Fátima. 

Esse algo “tão grande” que para a mãe da Lúcia, um dos pastorinhos, foi tão difícil aceitar como verdade tornou-se a "Fátima" que conhecemos nos nossos dias. 

E ainda, nos nossos tempos, quantos relatos ainda suscitam dúvidas acerca da autenticidade das “aparições” ou “visões”, ou seja lá o que cada um julgue a respeito de “Fátima”...

Mas, o essencial, este “invisível aos olhos” não cabe, nem nunca coube na mentalidade humana que procura razões e respostas para tudo.

"Fátima" interroga-nos porque as coisas divinas sempre interrogam a nossa humanidade quando buscamos materializar a fé em Deus.

Então, eis que o Papa Francisco, nos abre um caminho novo, um caminho possível, que até há pouco tempo, julgava-se totalmente morto: o caminho para a santidade.

O que mais me impressiona no Papa Francisco, e talvez, o que mais sinto que anseia-se nele, é esta esperança de que se é possível, ainda nos nossos tempos, de ser-se santo.

Não falo de uma santidade que vai para os altares ou que seja canonizada pela igreja católica.

Penso que a humanidade anseia por encontrar pessoas santas em seu proceder, humanamente santas, por assim dizer.

Não que sejam santas para fazerem milagres ou algo excecional.

Ser-se santo, apenas e só, nas pequenas coisas da vida quotidiana. Sem grandes alardes, nem grandes complicações.

A santidade é possível nos pequenos passos e gestos do dia a dia. 

Humanamente é possível sermos santos, sem grandes complexos ou anseios de perfeição.

Julgo que o Papa Francisco surge-nos, como esta esperança, para crentes e não crentes, de que é possível ser-se santo.

O Papa Francisco convida a todos, religiosos ou não, encorajando que é possível ser-se melhor, e este convite alcança também quem se considera ateu.

O mundo precisa de santos, não apenas para estarem nos altares das igrejas, ou por se julgar que só nestes altares se encontram santos.

Francisco e Jacinta, nunca poderiam ter em vista, tamanho reconhecimento, quando em 1917, aceitaram os sacrifícios que lhe haviam de vir e os ofereceram pela conversão do mundo inteiro. 

O que mais importa, atualmente, e assim como ocorreu em 1917, o que mais o mundo necessita e anseia é de santidade e de pessoas santas para encherem as nossas cidades de bem e de paz, de compreensão e de respeito, de caridade e de ajuda mútua, de civismo e de misericórdia, sem que necessariamente estejamos todos, a pensar de um mesmo modo em termos religiosos.

O mundo precisa de santidade, e todo o mundo anseia que esta santidade plena encha a terra da paz, uma verdadeira paz entre os povos nesta terra comum que é o nosso planeta.

Por isso, o Papa Francisco, com os seus gestos, interroga-nos, crentes ou não crentes, sobre o que realmente queremos fazer com a nossa livre opção de vida nesta terra comum.

A santidade constrói-se assim, e é possível a partir deste derrubar de tantos “muros”, que façamo-nos melhores, espiritualmente mais humanos e mais crentes na bondade, simplesmente, pelo querer ser-se bom pois optar pelo bem também faz parte da liberdade que nos foi conferida por Deus.

Ser-se bom, ou ser-se santo, faz parte desta ânsia que temos, em tocarmos esta eternidade do bem que perdura e que é mais forte do que o mal. 

Só o bem é capaz de construir um espaço de paz para todos. 

Só o bem, que cada um faz, é que permite a evolução da sua humanidade e espiritualidade como seres humanos, capazes de reescrever a história a partir da própria casa onde habitamos para o mundo inteiro.

Obrigada, Papa Francisco!

Aqui deixo algumas palavras da sua homilia de hoje na missa em Fátima - Portugal, que julgo dizer melhor do que eu, toda esta ânsia de santidade que o mundo tanto necessita nos nossos tempos:
"Pois Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz."
(Trecho da homilia do Papa Francisco proferido na Santa Missa com o Rito da Canonização dos Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto no adro do santuário de Fátima, Portugal, a 13 de maio de 2017, consultada no site do Vaticano, cujo o link coloco abaixo e que recomendo a todos ler ao pormenor:
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2017/documents/papa-francesco_20170513_omelia-pellegrinaggio-fatima.html )

Imagem da Pintura do Papa Francisco - carvão/lápis sobre papel - original de Gráccio Caetano
www.gracciocaetano.com


Jacinta Marto




Nasceu em Aljustrel, Fátima, no dia 11 de março de 1910 e foi a sétima filha do casal Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus dos Santos.

Com seus olhitos claros, cabelos direitinhos e rosto muito belo, constituía o encanto e o centro de atracção dos pais e irmãos.

De índole vivaz, expansiva e alegre, gostava de brincar e bailar; cativava a simpatia dos outros...

Os seus modos eram sérios e reservados, mas amigáveis.

Todas as suas acções pareciam reflectir a presença de Deus de uma maneira própria de pessoas adultas e de grande virtude.

“É maravilhoso como ela percebeu bem o poder da oração e do sacrifício tão recomendado a nós pela Santíssima Virgem… "

Ela era criança só em idade. No demais, sabia já praticar a virtude e mostrar a Deus e à Santíssima Virgem o seu amor, pela prática do sacrifício…”.

Procurava o silêncio e a solidão e de noite levantava-se da cama para rezar e livremente expressar o seu amor ao Senhor.

Em pouco tempo, a sua vida interior se notabilizou por uma grande fé e por uma enorme caridade.

A propósito disto dizia: «Gosto tanto de Nosso Senhor! Por vezes julgo ter um fogo no peito, mas que não me queima».

Gostava muito de contemplar Cristo Crucificado e comovia-se até às lágrimas ao ouvir a narração da Paixão.

Então afirmava já não querer cometer pecados para não fazer sofrer Jesus.

Alimentou uma ardente devoção à Eucaristia, que visitava frequentemente e durante longo tempo na igreja paroquial, escondendo-se no púlpito, onde ninguém a pudesse ver e distrair.

Desejava alimentar-se do Corpo de Cristo mas isso não lhe foi permitido por causa da idade.

Encontrava, contudo, consolação na comunhão espiritual.

Prevendo morrer sozinha, isto é, longe dos seus queridos familiares, disse: «Ó meu Jesus, agora podes converter muitos pecadores, porque este sacrifício é muito grande!».

«Sofro muito, mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para reparar o Coração Imaculado de Maria, e também pelo Santo Padre», confidenciou a Lúcia.

E já muito doente, consola a mãe com estas palavras: “Não se aflija, minha Mãe: vou para o Céu. Lá hei-de pedir muito por si“

«No Céu vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria», declarou pouco antes de morrer.



Jacinta Marto morreu santamente em 20 de Fevereiro de 1920, no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, depois de uma longa e dolorosa doença, oferecendo todos os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores, pela paz no mundo e pelo Santo Padre.

Jacinta Marto foi um dos três pastorinhos que desde o dia 13 de Maio até ao dia 13 de Outubro de 1917 viram a Virgem Maria em Fátima, Portugal, no lugar chamado Cova da Iria, perto de Fátima.


Segundo Lúcia, “Jacinta foi aquela que recebeu de Nossa Senhora a maior abundância de graças, e um melhor conhecimento de Deus e da virtude”.

As frases e história sobre Jacinta Marto foram consultados nos seguintes sites:


A canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto



Já muitas vezes ouvi falar da história dos três pastorinhos que viram a Virgem Maria em Fátima - Portugal.

Porém, será que conheço mesmo a sua história?

No dia 13 de Maio de 2017, os pastorinhos Jacinta Marto e Francisco Marto serão canonizados, ou seja, torna-se-ão oficialmente Santos Católicos que podem ser venerados nas igrejas em todo o mundo.

Este processo de canonização é baseado na verificação de um ou mais milagres verificados cientificamente. O rigor científico é um postulado a ser seguido fielmente nos processos de canonização.

O milagre que permitiu a canonização dos já beatos Francisco e Jacinta Marto ocorreu no Brasil, em que uma criança brasileira, que na época tinha seis anos, caiu de uma janela a sete metros de altura do chão. A criança foi para o hospital, já em coma, com um "grave traumatismo crânio-encefálico, com a perda de material encefálico” e foi operada. 

Perante esta situação, o pai da criança invocou Nossa Senhora de Fátima e os dois pequenos beatos tendo também ao seu lado nesta oração os familiares e uma comunidade de religiosas de clausura que em conjunto rezaram, com insistência, pedindo a intercessão dos Pastorinhos de Fátima.

Perante a situação clínica da criança, os médicos, disseram que, mesmo que sobrevivesse, a criança “viveria em estado vegetativo ou, na melhor das hipóteses, com graves deficiências cognitivas”.

“Milagrosamente, após três dias, a criança recebeu alta, não sendo constatado qualquer dano neurológico ou cognitivo”. 

A 2 de fevereiro de 2007, o Vaticano consultou uma equipa médica e esta deu o parecer positivo unânime sobre o caso, declarando-o como "cura inexplicável do ponto de vista científico".


No tempo de Jesus, os milagres aconteciam e ainda hoje podemos contar com a sua Presença em todos os momentos da nossa vida, especialmente nos mais difíceis e dolorosos. 

Para além disso, podemos ainda contar com a intercessão dos Santos, a Igreja Triunfante que acompanha a Igreja Militante que somos nós.

Toda esta beleza de fé católica na comunhão entre a Igreja do céu e a da terra, encontra-se clarificada no Catecismo da Igreja Católica nos nºs 954 e ss. que a todos aconselho a ler.

Aqui deixo um pouco do que a Igreja católica esclarece acerca desta comunhão entre a Igreja do céu e da terra que nos dão uma certeza de que nunca estamos órfãos ou sozinhos:

"954. Os três estados da Igreja. «Até que o Senhor venha na sua majestade e todos os seus anjos com Ele e, vencida a morte, tudo Lhe seja submetido, dos seus discípulos uns peregrinam na terra, outros, passada esta vida, são purificados, e outros, finalmente, são glorificados e contemplam "claramente Deus trino e uno, como Ele é" ...

956. A intercessão dos santos. «Os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade [...]. Eles não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo [...]. ...

957. A comunhão com os santos. «Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do povo de Deus» (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 50: AAS 57 (1965) 56.)."

Nos próximos artigos deste blogue irei aprofundar os meus conhecimentos acerca dos beatos Francisco e Jacinta Marto pois ainda tenho muito que aprender com estas simples crianças que na sua humildade tiveram a honra de ser visitados por Nossa Senhora em Fátima - Portugal.



(Texto de autoria de Rosária Grácio)

Bibliografia:

Os parágrafos do catecismo da Igreja Católica foram consultados no site:

Os pormenores históricos e as notícias dos pastorinhos beatos Francisco e Jacinta Marto foram consultados em :

Pinturas originais de Gráccio Caetano 

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Jesus visita-me nesta Páscoa!



Mais uma vez, a cruz visitou a minha casa. A água benta e as palavras: Jesus Ressuscitou, Aleluia, Aleluia, ocuparam o meu lar.

Esta tradição da Visita Pascal traz o perfume da Ressurreição para os lares que lhe abrirem a porta.

Sim, Jesus só nos visita, se deixarmos que Ele entre na casa da nossa vontade.

E a tradição da visita pascal é mais um daqueles momentos em que Jesus visita-nos aonde estamos, tal qual somos, sem aparências.

Ao abrimos a porta da nossa casa, pomo-nos assim como que humildes, neste acolhimento da cruz que sai à rua para visitar os crentes.

Qual será a  origem do chamado Compasso da Visita Pascal?

Esta designação deriva da expressão latina: “Crux cum passo Domino”. Assim designa-se a "Cruz em que o Senhor padeceu".

Em resumo, o Compasso é a Cruz com a imagem do Crucificado.


Claro que esta cruz era no tempo de Jesus, um instrumento de tortura usado pelos romanos, para assim condenar os seus opositores e criminosos.

Os cristãos dos primeiros tempos, com a Ressurreição de Jesus, porém, deram à cruz um novo significado. A cruz torna-se o sinal de redenção e glória.

Aliás, o próprio Jesus, ainda antes de morrer, já nos interrogava acerca do que a cruz deve ser na nossa vida:

“Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que pode o homem dar em troca da sua vida? Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»” (Marcos 8,34-37)

A Cruz, antes de mais, é um sinal, um caminho e uma porta, por onde o próprio Jesus foi e entrou, ensinando-nos de maneira concreta, que não devemos nos envergonhar de ter que também passar pela mesma cruz.



Nos tempos hodiernos, o medo da cruz é recorrente. Sofrer não está "na moda". Porém, não existe ninguém no mundo, que não tenha uma cruz, nem que seja um “espinho na carne” como tinha São Paulo.

A cruz interroga-nos e parece-nos absurda para que a possamos compreender plenamente:

“A linguagem da cruz é certamente loucura para os que se perdem mas, para os que se salvam, para nós, é força de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes.”( 1Cor 1, 18-19)

A cruz do Compasso, visita-nos adornada e perfumada, porque a frescura da alegria pascal vem com ela benzer solenemente as casas dos seus paroquianos.

Quando recebi a cruz em minha casa, senti-me realmente consolada.

Um senhor e três jovens trouxeram à minha casa, a Cruz Pascal.

Vinham com um sorriso que me contagiou.

Entregaram-me uma pagela com a bonita oração que me permitiu rezar com eles, dizendo: “Aleluia, Aleluia”.


Aleluia, Jesus Ressuscitou, Aleluia!

Ah, que grande alegria senti quando ressoaram estas palavras no meu coração.

Após a breve oração, o senhor que levava a cruz disse-me que a ressurreição de Jesus não é apenas pronunciada com palavras, mas antes com os nossos gestos e testemunhos.

Este é um grande desafio nos atuais tempos em que vivem os cristãos. Testemunhar a Ressurreição de Cristo com atitudes é mais difícil do que falarmos da sua glória com simples palavras.

Porém, Cristo Ressuscitou para que com Ele, possamos, também nós, ressuscitar e renovar o nosso espírito, pois enquanto cá estivermos, ainda temos tempo para mudar o nosso caminho.

A Ressurreição de Cristo deve revigorar os nossos ossos ressequidos pelas preocupações e cansaço do dia-a-dia.

A cruz desperta-me para o que existe para além do sofrimento humano.

A cruz de Cristo é a esperança da Ressurreição que abre os corações para uma nova vida para além da que morre pela morte do corpo material.

“Mas hoje, a Igreja continua a dizer: “Pare! Jesus Ressuscitou!” E isto não é uma fantasia, a Ressurreição de Cristo não é uma festa com muitas flores. Isto é bonito, mas não é só, é mais do que isto. É o mistério da pedra descartada que torna-se o alicerce da nossa existência. Cristo Ressuscitou, este é o significado”. (Palavras do Papa Francisco na Missa presidida na Praça São Pedro neste Domingo de Páscoa de 16 de Abril de 2017)

Para além destas sábias palavras do meu querido Papa Francisco, que mais posso dizer?

Apenas uso ainda as palavras da pagela que me entregaram na visita pascal que aqui transcrevo:

«Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito. Vinde, vede o lugar onde jazia e ide depressa dizer aos seus discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos...»” (Mateus 28, 5b-7a).



Bibliografia:

Citações bíblicas retiradas do site: www.capuchinhos.org/

O Significado do Compasso Pascal foi consultado em

Palavras do Papa Francisco consultadas no site
br.radiovaticana.va/news/2017/04/16/papa_a_igreja_n%C3%A3o_cessa_de_proclamar_cristo_ressuscitou!/1306126

Fotos da pagela da Visita Pascal da Paróquia do Salvador de Matosinhos - Portugal.

Pintura sobre azulejo de Gráccio Caetano - www.gracciocaetano.com

Beijar a Cruz, é amar Cristo desde a Paixão à Ressurreição!


Na Sexta-Feira Santa, pelas 15hs, participei da Celebração da Paixão do Senhor e da Adoração da Cruz na minha paróquia em Matosinhos.

A Igreja do Bom Jesus de Matosinhos estava preparada para esta belíssima celebração do Tríduo Pascal. O coro e os leitores deixaram-me, como que, em sintonia com a paixão e morte de Jesus. Cada palavra dita, cada tom musical ao sabor das vozes a cantar, fizeram-me levitar até o calvário.

Assim como Maria, pus-me diante da cruz.

Diante da cruz, deixei-me estar a contemplar a paixão de Jesus.


Sim, foi uma celebração demorada. Porém, se estamos diante de Deus, a saborear a sua presença, não podemos contabilizar o tempo.

Nesta Sexta-feira Santa, o silêncio nos invade a alma, pois o nosso Deus, que se fez humano entre nós, padeceu a injustiça e a morte na cruz.

A crueldade com que, por vezes, faz-se mal a quem só faz bem.

Assim, Jesus, o homem que só fez bem em sua vida, cuja a presença levou tantos para Deus… Esse homem, aquele que nenhum crime cometeu…

Apenas amou-nos, e amou-nos tanto que se submeteu à morte.

Se meditarmos cada pormenor da sua paixão (João,18 -19) vemos o quanto Jesus sofreu. E no sofrimento de Cristo, vemos o nosso sofrimento e a dor de toda a humanidade.

A traição de um dos seus amigos, Judas. Quantos de nós, não somos traídos por quem julgamos amigos?

O abandono a que nos deixam quando passamos por um infortúnio. Assim, também Jesus ficou, sozinho, abandonado por seus amigos…


Foi Simão Cirineu, um desconhecido, que o ajudou a carregar a sua cruz. Quantas vezes, são os desconhecidos que nos ajudam, quando passamos por momentos de cruz.

Somos, por vezes, despojados de tudo… Assim, Jesus, foi despojado das suas vestes e de tudo que tinha para ser exposto, publicamente como um criminoso, de forma injusta.

Quantas vezes, nós passamos pelo mesmo, em nossa vida… Somos injustiçados, mal interpretados e por vezes, condenados …

Deixam-nos na cruz do desprezo, do abandono e da falta da esperança em soluções humanas.

Mas Deus é fiel… Mesmo na cruz, dá-nos a presença da Mãe… Maria estava aos pés da cruz de Jesus, e também estava lá, um dos seus amigos: João.

Por vezes, alguns amigos apercebem-se e voltam a estar connosco nos momentos mais difíceis. São estes amigos que são a presença da esperança humana na terra.

Mesmo que estes amigos nos falhem, Maria, a mãe de Jesus nos levanta em seus braços maternos.

E Jesus foi sepultado por quem nem se julgava contar naquele momento de morte e abandono: José de Arimateia e Nicodemos. (João 19, 38)

Assim, também, quantas vezes, o nosso corpo morto e desfalecido pelas dificuldades da vida, encontra repouso em braços estrangeiros ou desconhecidos, pessoas anónimas que nos surgem como anjos…

Quantas e quantas pessoas dedicam-se a atos de caridade, por vezes de forma anónima e assim aliviam a dor de desconhecidos. E um destes pode ser um de nós!

A cruz e a morte de Jesus perpetuam-se no tempo e na história da humanidade.

Beijar a cruz, eis um momento sublime …

A cruz é o sinal do cristão que segue os passos do seu Mestre Jesus!


Apesar deste momento ser intenso e demorado devido a tanta gente que estava presente na igreja, ainda mais com as crianças da catequese que também vieram beijar a cruz, tudo esteve assim como que interligado com o convite ao silêncio e à reflexão acerca do mistério da paixão de Cristo.

Por fim, recebi a  Eucaristia e esta bênção inundou o meu ser com a presença de Cristo.

E depois, ao fim da celebração, o corpo morto de Cristo, vai para as ruas de Matosinhos, em procissão do enterro do Senhor até a Igreja de Santo Amaro.

Publicamente, Jesus percorre as nossas ruas e convida-nos a meditar na sua morte, prenúncio da Ressurreição que nasce da Cruz.












Fotos da Procissão do Enterro do Senhor da Igreja Paroquial de Matosinhos até a Igreja de Santo Amaro - 14 de Abril de 2017.

Pinturas de Gráccio Caetano - www.gracciocaetano.com