Madre Mariana de Jesus Torres Parte I




Madre Mariana de Jesus Torres nasceu na Província de Viscaya, Espanha, em 1563. 

Era filha do Sr.Diego Cediz e da Da. Maria Berriuchaoa Alvaro. Seu nome de batismo era Mariana Francisca.

Ainda criança preferia estar diante de Jesus Sacramentado do que brincar com as outras crianças.

Aos sete anos de idade, a Igreja que ficava perto da sua casa, incendiou-se. Este incêndio acabou por danificar também a casa onde morava com seus pais e mais dois irmãos. Apesar destas perdas materiais, o que mais entristecia Mariana era não poder visitar a Jesus Sacramentado.

Por razões de família, os pais de Mariana resolveram mudar-se com os seus três filhos para Santiago de Galícia, permitindo que nesta nova cidade ela voltasse a visitar ao
Santíssimo Sacramento.


Várias vezes, ia prostrar-se diante de Jesus Sacramentado, inflamando-se o seu coração de grande amor, desejosa por unir-se a Jesus na Santa Comunhão.

Sua mãe não queria que Mariana fizesse a Primeira Comunhão antes da idade que na altura se usava para as crianças fazerem a primeira Comunhão que era entre os doze e os catorze anos.

Porém, o confessor de Mariana ao ver a sua vontade de a fazer, deu-lhe a instrução necessária para estar preparada, realizando a sua Primeira Comunhão no dia 8 de dezembro de 1572.

Foi tão grande o êxtase ao receber a Sagrada Comunhão que Maria nesse mesmo dia fez o voto de virgindade, tendo a visão de Maria Santíssima que lhe pediu para ser religiosa
na Ordem da Imaculada Conceição onde daria muita glória a Deus.


A partir dessa altura, Mariana procurou viver em sua própria casa como já vivesse em um mosteiro, procurando nas suas atividades diárias viver em constante oração e contemplação, mortificação interior e exterior, vivendo as virtudes religiosas no serviço a seus pais e irmãozinhos.

Quando a sua mãe soube que já podia comungar, deixou-a comungar mais frequentemente, pois os pais de Mariana eram muito devotos, dando graças a Deus por sua filha aspirar às celestiais virtudes.

Em 1556, em Quito no Equador, as principais famílias e demais habitantes da cidade pediram ao Rei de Espanha, que se fundasse o primeiro Mosteiro da Imaculada Conceição.

Uma das fundadoras deste convento foi a Revda, Madre Dona Maria de Jesus Talvada, tia de Mariana. Esta sabendo desta fundação pediu aos seus pais para ir também para Quito.

Seus pais queriam que Mariana fosse religiosa carmelita na Espanha. Porém, Mariana respondia: “Sou chamada para a Ordem da Imaculada Conceição”. E acrescentava: “Eu quero
atravessar os mares e em terras longínquas, longe da carne e do sangue, só consagrar-me ao meu Jesus”.

Tendo deixado seus pais e irmãos, Mariana começou a sua viagem do seu país Espanha, em companhia de sua tia Revda, Madre Dona Maria de Jesus Talvada, e mais quatro
virgens, em reverência às cinco chagas do Seráfico Pai São Francisco para fundar a Ordem da Imaculada Conceição em Quito.

Ao embarcarem, sobreveio no mar, uma terrível tempestade e o navio estava prestes a naufragar.

De seguida, Madre Maria e a menina Mariana viram no mar uma serpente monstruosa de sete cabeças, que movimentando as ondas queria destroçar o navio. Com esta visão, Mariana deu um grito e caiu como morta. A Madre Maria, assustada, temendo a morte da sobrinha, dirigiu a Deus esta humilde oração:

“Tu sabes, meu Deus, que não vou por minha vontade fazer esta fundação, mas é a obediência ao Rei, meu Senhor, que a isto me leva. Se é Tua vontade que nesta Colônia se funde
a Ordem da Imaculada Conceição, faz desaparecer esta tempestade, esta escuridão, e que se acalme a tormenta”.


Mal terminada esta oração, Mariana abriu os olhos e no mesmo instante se fez dia e ouviam uma voz terrível que dizia: “Não permitirei a fundação; não permitirei que progrida; não permitirei que se conserve até o fim dos tempos e a todo o momento a perseguirei”.

Esta foi a voz da serpente no momento em que acalmou a tempestade.

Mariana, após estar sozinha com a sua tia, disse-lhe que enquanto tinha desmaiado teve também um êxtase.

Apesar de ter estado inanimada, Mariana em êxtase viu “uma serpente maior que o mar e uma senhora de incomparável formosura, vestida de sol, coroada de estrelas, com um Menino precioso nos braços. No peito da Senhora havia um ostensório com o Santíssimo Sacramento; em uma das mãos uma grande cruz de ouro que terminava em lança. Com esta lança Ela sujeitou a enorme serpente, que possuía na língua também uma lança de dois gumes. A Senhora apoiando a Cruz no Santíssimo Sacramento e na mão do Menino, golpeou com tanta força a cabeça da serpente que a estraçalhou: nesse momento ela deu esses alaridos que não permitiria a fundação da Ordem da Imaculada Conceição”

Madre Maria compreendeu o que isto significava, e em tempo oportuno fez executar, segundo esta admirável visão, a Imagem da Santíssima Virgem que as concepcionistas trazem no peito.

Mariana comunicou ainda à sua tia as inumeráveis dificuldades e sofrimentos que padeceriam pelo caminho, e que uma vez fundado o Mosteiro, na cidade de Quito, a Comunidade seria vítima, pelo ódio da serpente, de perseguições e imensas tribulações ao longo dos séculos, isso Deus permitiu para a glória de sua Santíssima Mãe.


No êxtase, também foi dado a conhecer a Mariana de muitas coisas que se passariam na Comunidade: religiosas santas que floresceriam neste Mosteiro e as almas ingratas que incorrespondendo à graça da vocação seriam infiéis.

Madre Maria, assustada e aflita ao ouvir esta narração, disse à sobrinha: “Minha filha, se tanto se há de padecer na fundação e tão combatida será a Comunidade das Concepcionistas, não façamos, nem continuemos a viagem: voltemos a Espanha”.


Porém, Mariana disse à sua tia: “É verdade que sofreremos muito e que haverá almas ingratas, mas também haverá religiosas santas que com a sua vida interior, sofrimentos e humilhações darão glória a Deus e à sua Mãe Imaculada, conservando, assim, o Mosteiro em todos os tempos”. … “e chegará um dia em que a Rainha dos Céus comunicar-se-á comigo”.

Madre Maria, convencida pelas razões expostas pela sobrinha, resolveu prosseguir viagem para efetivar em Quito a fundação, aceitando todos os sacrifícios que daí adviriam, por amor ao seu Divino Jesus e à sua Mãe Imaculada.


Com o “fiat” de Madre Maria para a fundação do Mosteiro, os anjos levaram-no contentes ao Trono da augusta Majestade, enquanto os demónios enfurecidos não impediram a fundação e o grande bem que esta derramaria nas almas, apesar da guerra cruenta que fizeram ainda em viagem para Quito.

Os anjos coroariam estas duas triunfadoras e os coros celestes cantariam um hino de amor à Maria Imaculada; ao mesmo tempo os protetores das futuras religiosas, que ao longo dos séculos deveriam santificar, preparariam neste momento coroas de flores imortais para cingir as frontes das ilustres e heroicas virgens concepcionistas.

Mariana tinha apenas nove anos, quando foi para Quito com a sua tia e Madre Maria. Apesar de ainda ser uma criança, Nosso Senhor concedeu a Mariana o dom da Profecia, adornada com o sublime grau da oração da quietude. Alguns anos depois,  será no convento em Quito que Nossa Senhora de Bom Sucesso irá lhe revelar os acontecimentos futuros, especialmente relacionados com o século XX.

Madre Mariana de Jesus foi o escudo de fortaleza no combate que sustentou Madre Maria, honra e glória da Ordem de Imaculada Conceição e firmíssima coluna que conserva o Mosteiro, sendo de se notar que a Ordem foi perseguida pela serpente infernal deste o berço de sua fundação.

O demónio fez naufragar no mar as Bulas da Fundação para que elas não chegassem a Toledo, mas elas foram salvas por mão de anjos e entregues à Santa Madre Beatriz da Silva,Mãe e Fundadora de toda a Ordem Concepcionista.

Findas as dificuldades no mar, chegaram à terra, mas as dificuldades continuaram, tanto durante a viagem até Quito quanto no início da fundação do mosteiro.


(Continua no próximo vídeo: “Madre Mariana de Jesus Torres – Parte II”)

Bibliografia:
A história da Madre Mariana de Jesus Torres foi consultada no livro “Vida admirável da Reverendíssima Madre Mariana de Jesus Torres – Mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso”
Este livro foi escrito pelo Rvdo. Padre Manuel Sousa Pereira da Ordem Seráfica dos Menores do Convento Máximo de São Francisco de Assis de Quito, Equador.
Versão on line disponível em

Mais pormenores históricos e teológicos acerca da Madre Mariana de Jesus Torres foram consultados

“Madre Mariana de Jesus Torres”
Técnica mista sobre papel
Pintura original de Gráccio Caetano


O Mês de Agosto e o Imaculado Coração de Maria



Nos últimos meses tenho me dedicado a conhecer melhor o Imaculado Coração e a Imaculada Conceição de Maria tanto em termos históricos como em termos de doutrina católica.

Surpreendi-me ao ler no livro “Grande Livro Ilustrado das Virgens e dos Santos” do autor Noemí Marcos Alba da Didática Editora, S.A., que o dia da celebração do coração Imaculado de Maria é exatamente hoje, dia 22 de agosto, e ainda mais como Padroeira de Angola.

Sendo eu portuguesa, mas nascida em Angola, sinto-me cada vez mais perto de Nossa Senhora, ainda mais que foi o meu próprio nome “Rosária de Fátima” que me indicou por onde começar.

E sim, comecei com as aparições de Fátima – Portugal, a pensar que nestas aparições os termos “Imaculado Coração” e “Imaculada Conceição” começassem aqui a serem falados por Nossa Senhora.

No entanto, percebi que em aparições bem antes de Fátima, estes termos já eram falados por Nossa Senhora, como foi o caso das Aparições de Nossa Senhora de Lurdes a Santa Bernardete.

Na própria história de Portugal, a sua primeira santa portuguesa, a Santa Beatriz da Silva (nascida em 1437 e falecida em 9 de agosto de 1492) foi a fundadora de uma ordem religiosa feminina totalmente dedicada à Imaculada Conceição.

Já escrevi um artigo que vai ainda mais para antes dessa data, especialmente nos primeiros séculos do cristianismo.

Mas aqui ainda refiro São João Eudes (14/11/1601-19/08/1680), que introduziu o culto do Sagrado Coração de Jesus e do Santo Coração da Maria, escrevendo o livro “O Admirável Coração da Santíssima Mãe de Deus”. A sua memória litúrgica festeja-se a 19 de agosto.

O mês de agosto tem assim vários dias dedicados a santos e santas que muito amaram Nossa Senhora, e a meio deste mês celebramos a sua Assunção e oito dias depois a festa de Nossa Senhora Rainha exatamente neste dia de 22 de agosto.

Outro livro que tenho lido para aprofundar mais este tema da Imaculada Conceição é “Memórias da Irmã Lúcia” onde conhecer a vida dos três pastorinhos, simples crianças, cujo crescer da santidade é notório depois de verem Nossa Senhora.

“Sofrer pelos pecadores porque não há quem sofra por eles” era uma das missões dos três pastorinhos.

Salvar almas para Deus por meio do nosso sofrimento quotidiano foi um dos pedidos de Nossa Senhora. 

Este pedido de “salvar almas” me fez falar de Santa Beatriz da Silva, e a sua Ordem totalmente dedicada à Imaculada Conceição me leva a conhecer a Beata Mariana que será o tema do meu próximo artigo.

Entretanto, o Papa Francisco escreve o livro “AveMaria” que aprofunda esta forte oração mariana que se inicia com a saudação de um anjo. E se um anjo saúda Maria e diz-lhe que é “cheia de graça”, vejo-me igualmente diante de Maria que “exulta de alegria em Deus, seu Salvador” porque aceitou ser “a escrava do Senhor”. 

Aliás, ao ler “A Virgem Maria e o Diabo nos Exorcismos” de Francesco Bamonte, mais compreendo porque Maria, a Imaculada Conceição e o seu coração Imaculado é a resposta para a grande batalha espiritual que já no livro do Apocalipse (Apocalipse 12) se profetizava.

“Todos os dias, de uma extremidade à outra da terra, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo proclama e publica a admirável Virgem Maria. Os nove coros dos Anjos, os homens de ambos os sexos, idades, condição ou religião, os bons e os maus, e até mesmo os demónios, são forçados a chama-la bem-aventurada. Quer queiram, que não, a isso os obriga a força da verdade. Como diz S. Boaventura, todos os anjos lhe cantam no céu incessantemente: “Santa, santa, santa Maria, Virgem Mãe de Deus”. (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” de S. Luís de Montfort, Edições Monfortinas).

(Texto de autoria de Rosária Grácio)

Nota: Os links dos livros que coloquei neste texto são apenas como referência pois existem várias livrarias que os vendem e alguns deles em várias editoras.


Bibliografia:




História de Santa Beatriz da Silva - Parte II



Neste vídeo partilho a segunda parte da história de Santa Beatriz da Silva que faz parte dos vários artigos que tenho dedicado neste blogue à história da Imaculada Conceição.


Em Toledo, Beatriz viveu por trinta anos, no Convento Dominicano de São Domingos chamado O Real, ou O Antigo.

Neste convento, Beatriz viveu voluntariamente em completo encerramento, dedicando totalmente a sua vida a Deus.
Para dedicar também a sua beleza a Deus, cobriu o seu rosto com um véu branco que só era levantado em raras ocasiões.

Durante este tempo, aguardou com paciência e obediência, para que fosse aprovada uma ordem religiosa completamente dedicada à Imaculada Conceicão, conforme Nossa Senhora lhe tinha pedido.


Em 1484, com o apoio da soberana Dona Isabel, a Católica, Beatriz saiu do mosteiro para uma parte dos Palácios de Galiana, com doze donzelas, na sua maioria portuguesas, que desejavam também fundar um Mosteiro dedicado à Imaculada Conceição de Maria.


Após elevarem juntas uma súplica ao Pontífice, a 29 de Abril de 1489, por bula do Papa Inocêncio VIII, a nova ordem foi reconhecida como Inter universa, executada em Toledo, na presença de Dona Beatriz e das suas discípulas, nos Palácios.

Porém, a fundação do mosteiro concluiu-se apenas poucos momentos antes da morte da própria Dona Beatriz, que foi a primeira a professar e a receber o hábito da Conceição, já em agonia, a 9 de Agosto de 1491.


Beatriz, para receber então a Santa Unção, levantaram-lhe do rosto o véu branco. Viu-se que a sua face resplandecia “como a luz quando mais luz”, Na fronte de Beatriz surgiu uma estrela de ouro muito brilhante, que se extinguiu quando morreu.

Esta estrela irá se tornar o seu maior símbolo, estando em praticamente todas as suas imagens, desde o século XVI aos nossos dias.

Santa Beatriz foi beatificada apenas em 1926 e canonizada em 1976, pelo já também Santo Papa Paulo VI.


As monjas da  Ordem da Imaculada Conceição são habitualmente chamadas por Concepcionistas franciscanas, ou apenas Concepcionistas, ou Conceicionistas, honrando, assim, a invocação de Nossa Senhora da Conceição como Rainha de Portugal, coroada por Dom João IV. A Ordem da Imaculada Conceição é uma das maiores Ordens Religiosas femininas de vida contemplativa, da Igreja.


A vocação concepcionista é dedicar a vida a Deus, em íntima união com Maria, contemplando a sua Conceição Imaculada.

A Ordem da Imaculada Conceição é totalmente contemplativa.

As Concepcionistas buscam o princípio e o fim de todas as coisas na oração, pois só na oração incessante (1Ts 5,7) podem conhecer a Deus como a seu único Esposo.


Talvez a clausura pareça um tipo de "separatio", de separação. Na realidade, porém, é uma communio mais profunda com o mundo.

Porém, na clasura, as Irmãs Concepcionistas oferecem um sacrifício de louvor, com Cristo, um sacrifício de louvor oferecido ao Pai em nome da humanidade.


Santa Beatriz, dócil aos apelos do Espírito Santo,

pôs-se à disposição de Cristo e de Maria num ato de obediência, fielmente mantido por toda a sua vida. Desta fidelidade de Beatriz,
nasceu a Ordem da Imaculada Conceição”.

(Constituições Gerais, Art. 32)


A história sobre Santa Beatriz  foi consultada em



Pintura de Santa Beatriz da Silva

Técnica mista sobre papel
Original de Gráccio Caetano




História de Santa Beatriz da Silva - Parte I



Neste primeiro vídeo começo a contar a história de Santa Beatriz da Silva.

Beatriz nasceu em Campo Maior, Portugal, por volta do ano 1436-1437, filha de Dom Rui Gomes da Silva, alcaide mor da cidade, e Dona Isabel de Meneses. Era a segunda dentre os onze filhos, em uma família profundamente cristã e tendo como mestres, os Religiosos Franciscanos que, ao par de sólida piedade, incutiram-lhe um terno amor à Maria Santíssima, no mistério da sua Imaculada Conceição.
Entre outros, foram seus irmãos João de Meneses, que viria a ser o Beato Amadeu Hispano, secretário pessoal e confessor do Papa Sisto IV, e dos Duques de Milão, escritor místico e reformador da Ordem de São Francisco na Península Itálica; e Dona Maria de Meneses, donzela da Rainha Dona Isabel, mulher de Dom Afonso V de Portugal, que casou com Gil de Magalhães, 2.º Senhor de Ponte da Barca, ascendentes do Provedor da Real Irmandade de Santa Beatriz da Silva, Alfredo Côrte-Real.
Para além da sua origem nobre, a jovem Beatriz tinha uma beleza exterior que a evidenciava perante as outras jovens do seu tempo.

Conta-se que o seu rosto, por ser tão belo, foi usado para ser modelo da pintura da imagem da Virgem Maria. Porém, a jovem Beatriz só acedeu por pedido de seu pai, mas fechou os olhos por não se achar digna de ser usada para modelo da Virgem Maria a quem tanto amava.

 
O original deste quadro atualmente está na Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior e uma cópia venera-se na Igreja do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior.

Todos os seus Biógrafos narram sua grande piedade e virtude desde sua infância, e os testemunhos para o Processo de sua Canonização declaram que desde menina foi devotíssima do mistério da Imaculada Conceição.

Na Primavera de 1447, Beatriz foi para Castela, como donzela da Senhora Dona Isabel, filha mais velha da Infanta Dona Isabel, que ia casar-se com Dom João II daquele reino.
Beatriz era bela e pudorosa. Esforçava-se por manter sua conduta irrepreensível em meio a tantas frivolidades, ciúmes e vaidades. Porém apesar de tudo, certos palacianos maliciosos e maldosos a caluniaram de ter secretos encontros amorosos com o Rei.

A isto não resistiu os ciúmes da Rainha Isabel, quando ouviu os rumores da calúnia, começou a duvidar da fidelidade de seu marido o Rei e viu em Beatriz uma possível rival. Queria então fazê-la desaparecer. Começou a arquitetar uma maneira de fazê-la desaparecer. 

O ciúme é sempre engenhoso… Certa noite a Rainha convidou Beatriz para que a seguisse e simulando querer contar-lhe um segredo, a levou por um solitário caminho do palácio até chegar num lugar que tinha preparado de antemão. Ao passar junto dele, a Rainha lhe deu um forte empurrão fazendo-a cair dentro do grande baú, e cerrando-o rapidamente com chave, abandonou-a na escuridão.


Beatriz gritou, suplicou … Era inocente nunca dera ouvidos aos galanteios, nem salientara ambição alguma. Mas o ciúme da Rainha já se transformara em ódio e o ódio é cego.


Beatriz estava sepultada viva, as trevas a cercavam e faltava-lhe todo o auxilio humano. Condenada a morrer asfixiada dentro de um baú! Era jovem e inocente. O desespero rondava-lhe a alma.

Da Terra nada podia esperar. Voltou-se então para o Céu. Entregou-se nas mãos de Deus e se encomendou à Ssma. Virgem com grande devoção. A vida parecia fugir, quando se viu envolta em vivíssima luz. E nesta luz divisou a Virgem Santíssima, resplandecente como os raios do sol, vestida com hábito branco e manto azul celeste, em seus braços um formoso Menino, ferindo com uma lança a cabeça de um horrendo dragão. Depois de confortá-la com carinho maternal lhe disse que dali sairia e que fundaria uma ordem consagrada à Imaculada Conceição.


Beatriz agradecida, se entregou como serva e escrava, e consagrando sua virgindade se ofereceu em corpo e alma ao serviço de sua Celestial Senhora a Mãe de Deus. A Virgem Santíssima, depois de prometer-lhe que sairia daquele baú com vida, desapareceu, deixando Beatriz numa felicidade indescritível.


Passados porém, três dias, o Tio de Beatriz exigiu explicações da Rainha. Esta levou-a ao lugar onde estava encerrada Beatriz. Levava a certeza de encontrá-la morta, já cadáver, pois ninguém resistiria a tal suplício por muito tempo. Teriam terminado, assim, as rivalidades. Mas terrível surpresa a aguardava. Ao abrir o baú , em lugar de um cadáver hirto e lívido, sem vida, surgiu Beatriz, risonha … formosa … cheia de vida … quase resplandecente. Parecia mais bela, com um sorriso celeste a emoldurar-lhe o doce semblante.


Dois sentimentos chocaram-se no coração da Rainha: a raiva e o pavor. Entre atônita e apavorada, desfaz-se em lágrimas e cai aos pés da donzela com rogos de perdão. Um abraço foi a resposta de Beatriz.


A Rainha que arquitetara o desaparecimento da sua rival, sentiu-se humilhada ao presenciar que o seu ato apenas servira para aumentar o prestigio da sua vítima. E passados os primeiros momentos de emoção, Isabel sentiu a inveja acordar em seu coração. Ordenou a Beatriz que abandonasse a Côrte.

Para Beatriz, uma alegria, não sentia outro desejo. Três dias depois acompanhada pelo seu Tio, abandonou a Côrte e dirigiu seus passos a Toledo.
O encerramento de Beatriz ocorreu no Paço Real de Tordesilhas, e é possível que este acontecimento tivesse ocorrido por causa de uma doença psiquiátrica da Rainha, uma enfermidade que a acompanharia até à morte, daí a muitos anos.

Dona Beatriz da Silva, com a permissão da Rainha, decidiu sair imediatamente da corte e empreendeu viagem para Toledo, para se recolher no Mosteiro de São Domingos.
Durante esta viagem encontrou dois monges franciscanos que lhe falaram da Imaculada Conceição. 

Estes dois monges franciscanos, por discernimento, foram considerados como São Francisco de Assis e Santo António.

Na altura, ainda não tinha sido proclamado o dogma da Imaculada Conceição. Porém, entre os frades franciscanos, sempre tiveram a certeza deste dogma, por seu grande amor por Nossa Senhora.

No próximo vídeo continuarei a contar a história de Santa Beatriz, pois após se libertar do mundo, entrega-se a Deus inteiramente, mas mais pormenores, irei falar no próximo artigo.

A história sobre Santa Beatriz foi consultada em
  
Pintura de Santa Beatriz da Silva
Técnica mista sobre papel
Original de Gráccio Caetano

Montagem de Vídeo:
Rosária Grácio

Santa Beatriz da Silva e o Imaculado Coração de Maria - Parte I




(Continuação do artigo anterior:
https://caminhosantos.blogspot.com/2019/03/a-imaculada-conceicao-nos-primeiros.html )

Beatriz nasceu em Campo Maior, Portugal, por volta do ano 1436-1437, filha de Dom Rui Gomes da Silva, alcaide mor da cidade, e Dona Isabel de Meneses. Era a segunda dentre os onze filhos, em uma família profundamente cristã e tendo como mestres, os Religiosos Franciscanos que, ao par de sólida piedade, incutiram-lhe um terno amor à Maria Santíssima, no mistério da sua Imaculada Conceição.

Entre outros, foram seus irmãos João de Meneses, que viria a ser o Beato Amadeu Hispano, secretário pessoal e confessor do Papa Sisto IV, e dos Duques de Milão, escritor místico e reformador da Ordem de São Francisco na Península Itálica; e Dona Maria de Meneses, donzela da Rainha Dona Isabel, mulher de Dom Afonso V de Portugal, que casou com Gil de Magalhães, 2.º Senhor de Ponte da Barca, ascendentes do Provedor da Real Irmandade de Santa Beatriz da Silva, Alfredo Côrte-Real.

Para além da sua origem nobre, a jovem Beatriz tinha uma beleza exterior que a evidenciava perante as outras jovens do seu tempo.

Conta-se que o seu rosto, por ser tão belo, foi usado para ser modelo da pintura da imagem da Virgem Maria. Porém, a jovem Beatriz só acedeu, por pedido de seu pai, mas fechou os olhos por não se achar digna de ser usada para modelo da Virgem Maria a quem tanto amava.


O original deste quadro atualmente está na Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior e uma cópia venera-se na Igreja do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior.

Todos os seus Biógrafos narram sua grande piedade e virtude desde sua infância, e os testemunhos para o Processo de sua Canonização declaram que desde menina foi devotíssima do mistério da Imaculada Conceição.

Por sua família ser ligada à nobreza, Beatriz foi para Castela, como donzela da Senhora Dona Isabel, filha mais velha da Infanta Dona Isabel, que ia casar-se com Dom João II daquele reino.

Na corte castelhana, aos poucos anos foi considerada a dama mais formosa e gentil, recebendo muitos pedidos de casamento de duques e de condes.

Porém,  por ciúmes da sua beleza, a Rainha Dona Isabel, sua senhora, a encerrou num cofre, para que aí morresse, sozinha. Este encerramento, que ocorreu no Paço Real de Tordesilhas, ter-se-á devido a uns ciúmes da Rainha, alimentados por intrigas palacianas, acerca de um suposto interesse de Dom João II, seu marido, por Dona Beatriz, embora seja possível, na verdade, que este acontecimento tivesse ocorrido por causa de uma doença psiquiátrica da Rainha, uma enfermidade que a acompanharia até à morte, daí a muitos anos.

Foi nesse cofre ou baú que a jovem Beatriz teve a visão de Nossa Senhora, vestida de hábito branco com escapulário da mesma cor, com um manto azul. A Virgem Santíssima disse-lhe que ela sairia dali viva e que devia fundar uma ordem destinada  a defender e honrar o Mistério da Imaculada Conceição.

Quando a rainha disse onde estava Beatriz e julgando que após 3 dias já estaria morta, foi surpresa e milagre que Dona Beatriz da Silva, ainda estivesse viva, pedindo para sair imediatamente da corte, tendo a rainha consentido.

E assim, a jovem Beatriz deixa o mundo da nobreza e vai para Toledo, onde se recolheu no Mosteiro de São Domingos, o Real, de monjas dominicanas, com o apoio de Dom João da Silva, 1.º Conde de Cifuentes, seu parente, que morava na cidade com a sua família, como muitos outros portugueses, que ali se tinham exilados na Crise de 1385-1386. 

Ali, fica cerca de 30 anos, e longe do mundo, funda a Ordem dedicada à Imaculada Conceição de Maria. 

Mas antes que tal Ordem se concretizasse, Beatriz enquanto aguardava a aprovação papal para a sua ordem, foi sinal de obediência, silêncio e virtude que mais em pormenor irei falar no próximo artigo.


A história sobre Santa Beatriz foi consultada em

Fotos de pinturas originais de Gráccio Caetano

Memórias da Irmã Lúcia - I : Aparições do Anjo - 1915




Começo com este vídeo o meu aprofundamento a respeito da Irmã Lúcia. 

A mensagem de Fátima e o Imaculado Coração de Maria, a meu ver, respondem a muitas das nossas indagações do nosso tempo...

Por isso, nos últimos meses tenho feito vários artigos sobre estes temas e convido a todos que o quiserem que me acompanhem neste blogue.

Em breve publicarei um artigo sobre Santa Beatriz da Silva que fundou a ordem da Concepcionistas dedicada ao Imaculado Coração de Maria.

Em Fátima, a Virgem Maria disse que o seu Imaculado Coração triunfará.

Por isso, comecei a estudar este dogma e toda a sua história que cada vez mais me surpreende porque desde há muitos anos, várias aparições de Nossa Senhora, em vários locais do mundo, falam do seu Imaculado Coração.

E em Fátima, com Lúcia e a sua persistência e humilde obediência, percebi que a sua mensagem é profundamente atual e cada vez mais urgente nos nossos tempos.

Convido-lhe a ler as Memórias da Irmã Lúcia que estão on line em