Ser santo é um caminho feito de pequenos passos,
firmes e com pressa, em linha recta ao céu...
Os Santos são os heróis católicos que nos ensinam com sua história de vida algumas pistas do que é a vida plena que foge aos padrões actuais.Os sacramentos e as celebrações fazem parte desta caminhada de santidade.
Nos últimos meses tenho me dedicado a conhecer
melhor o Imaculado Coração e a Imaculada Conceição de Maria tanto em termos
históricos como em termos de doutrina católica.
Surpreendi-me ao ler no livro “Grande Livro Ilustrado das Virgens e dos Santos” do autor Noemí Marcos Alba da Didática
Editora, S.A., que o dia da celebração do coração Imaculado de Maria é exatamente hoje, dia 22 de agosto, e ainda mais como Padroeira de Angola.
Sendo eu portuguesa, mas nascida em Angola,
sinto-me cada vez mais perto de Nossa Senhora, ainda mais que foi o meu próprio
nome “Rosária de Fátima” que me indicou por onde começar.
E sim, comecei com as aparições de Fátima –
Portugal, a pensar que nestas aparições os termos “Imaculado Coração” e “Imaculada
Conceição” começassem aqui a serem falados por Nossa Senhora.
No entanto, percebi que em aparições bem antes
de Fátima, estes termos já eram falados por Nossa Senhora, como foi o caso das
Aparições de Nossa Senhora de Lurdes a Santa Bernardete.
Na própria história de Portugal, a sua
primeira santa portuguesa, a Santa Beatriz da Silva (nascida em 1437 e falecida
em 9 de agosto de 1492) foi a fundadora de uma ordem religiosa feminina
totalmente dedicada à Imaculada Conceição.
Mas aqui ainda refiro São João Eudes (14/11/1601-19/08/1680),
que introduziu o culto do Sagrado Coração de Jesus e do Santo Coração da Maria,
escrevendo o livro “O Admirável Coração da Santíssima Mãe de Deus”. A sua memória
litúrgica festeja-se a 19 de agosto.
O mês de agosto tem assim vários dias
dedicados a santos e santas que muito amaram Nossa Senhora, e a meio deste mês
celebramos a sua Assunção e oito dias depois a festa de Nossa Senhora Rainha
exatamente neste dia de 22 de agosto.
Outro livro que tenho lido para aprofundar
mais este tema da Imaculada Conceição é “Memórias da Irmã Lúcia” onde conhecer
a vida dos três pastorinhos, simples crianças, cujo crescer da santidade é
notório depois de verem Nossa Senhora.
“Sofrer pelos pecadores porque não há quem
sofra por eles” era uma das missões dos três pastorinhos.
Salvar almas para Deus por meio do nosso
sofrimento quotidiano foi um dos pedidos de Nossa Senhora.
Este pedido de “salvar
almas” me fez falar de Santa Beatriz da Silva, e a sua Ordem totalmente
dedicada à Imaculada Conceição me leva a conhecer a Beata Mariana que será o
tema do meu próximo artigo.
Entretanto, o Papa Francisco escreve o livro “AveMaria” que aprofunda esta forte oração mariana que se inicia com a saudação de
um anjo. E se um anjo saúda Maria e diz-lhe que é “cheia de graça”, vejo-me igualmente
diante de Maria que “exulta de alegria em Deus, seu Salvador” porque aceitou
ser “a escrava do Senhor”.
Aliás, ao ler “A Virgem Maria e o Diabo nos Exorcismos” de Francesco Bamonte, mais compreendo porque Maria, a Imaculada
Conceição e o seu coração Imaculado é a resposta para a grande batalha
espiritual que já no livro do Apocalipse (Apocalipse 12) se profetizava.
“Todos os dias, de uma extremidade à outra da
terra, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo proclama e
publica a admirável Virgem Maria. Os nove coros dos Anjos, os homens de ambos
os sexos, idades, condição ou religião, os bons e os maus, e até mesmo os
demónios, são forçados a chama-la bem-aventurada. Quer queiram, que não, a isso
os obriga a força da verdade. Como diz S. Boaventura, todos os anjos lhe cantam
no céu incessantemente: “Santa, santa, santa Maria, Virgem Mãe de Deus”.
(Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” de S. Luís de Montfort,
Edições Monfortinas). (Texto de autoria de Rosária Grácio) Nota: Os links dos livros que coloquei neste texto são apenas como referência pois existem várias livrarias que os vendem e alguns deles em várias editoras.
Neste vídeo partilho a segunda parte da história de Santa Beatriz da Silva que faz parte dos vários artigos que tenho dedicado neste blogue à história da Imaculada Conceição.
Em
Toledo, Beatriz viveu por trinta anos, no Convento Dominicano de São Domingos
chamado O Real, ou O Antigo.
Neste
convento, Beatriz viveu voluntariamente em completo encerramento, dedicando
totalmente a sua vida a Deus.
Para
dedicar também a sua beleza a Deus, cobriu o seu rosto com um véu branco que só
era levantado em raras ocasiões.
Durante
este tempo, aguardou com paciência e obediência, para que fosse aprovada uma
ordem religiosa completamente dedicada à Imaculada Conceicão, conforme Nossa
Senhora lhe tinha pedido.
Em
1484, com o apoio da soberana Dona Isabel, a Católica, Beatriz saiu do mosteiro
para uma parte dos Palácios de Galiana,com doze
donzelas, na sua maioria portuguesas, que desejavam também fundar um Mosteiro
dedicado à Imaculada Conceição de Maria.
Após
elevarem juntas uma súplica ao Pontífice, a 29 de Abril de 1489, por bula do
Papa Inocêncio VIII,a nova ordem foi
reconhecida como Inter universa, executada em Toledo, na presença de Dona
Beatriz e das suas discípulas, nos Palácios.
Porém,
a fundação do mosteiro concluiu-se apenas poucos momentos antes da morte da
própria Dona Beatriz,que foi a primeira a
professar e a receber o hábito da Conceição, já em agonia, a 9 de Agosto de
1491.
Beatriz,
para receber então a Santa Unção, levantaram-lhe do rosto o véu branco.Viu-se
que a sua face resplandecia “como a luz quando mais luz”,Na fronte de
Beatriz surgiu uma estrela de ouro muito brilhante, que se extinguiu quando
morreu.
Esta
estrela irá se tornar o seu maior símbolo, estando em praticamente todas as
suas imagens, desde o século XVI aos nossos dias.
Santa
Beatriz foi beatificada apenas em 1926 e canonizada em 1976, pelo já também
Santo Papa Paulo VI.
As monjas
daOrdem da Imaculada Conceição são
habitualmente chamadas por Concepcionistas franciscanas, ou apenas
Concepcionistas,ou Conceicionistas, honrando, assim, a
invocação de Nossa Senhora da Conceição como Rainha de Portugal, coroada por
Dom João IV.A Ordem da Imaculada Conceição é uma das
maiores Ordens Religiosas femininas de vida contemplativa, da Igreja.
A
vocação concepcionista é dedicar a vida a Deus, em íntima união com Maria,
contemplando a sua Conceição Imaculada.
A
Ordem da Imaculada Conceição é totalmente contemplativa.
As
Concepcionistas buscam o princípio e o fim de todas as coisas na oração, pois
só na oração incessante (1Ts 5,7) podem conhecer a Deus como a seu único
Esposo.
Talvez
a clausura pareça um tipo de "separatio", de separação. Na realidade,
porém, é uma communio mais profunda com o mundo.
Porém,
na clasura, as Irmãs Concepcionistas oferecem um sacrifício de louvor, com
Cristo, um sacrifício de louvor oferecido ao Pai em nome da humanidade.
“Santa
Beatriz, dócil aos apelos do Espírito Santo,
pôs-se
à disposição de Cristo e de Maria num ato de obediência, fielmente mantido por
toda a sua vida. Desta fidelidade de Beatriz,
Neste primeiro vídeo começo a contar a história de Santa Beatriz da Silva.
Beatriz
nasceu em Campo Maior, Portugal, por volta do ano 1436-1437, filha de Dom Rui
Gomes da Silva, alcaide mor da cidade, e Dona Isabel de Meneses. Era a segunda
dentre os onze filhos, em uma família profundamente cristã e tendo como
mestres, os Religiosos Franciscanos que, ao par de sólida piedade,
incutiram-lhe um terno amor à Maria Santíssima, no mistério da sua Imaculada
Conceição.
Entre
outros, foram seus irmãos João de Meneses, que viria a ser o Beato Amadeu
Hispano, secretário pessoal e confessor do Papa Sisto IV, e dos Duques de
Milão, escritor místico e reformador da Ordem de São Francisco na Península
Itálica; e Dona Maria de Meneses, donzela da Rainha Dona Isabel, mulher de Dom
Afonso V de Portugal, que casou com Gil de Magalhães, 2.º Senhor de Ponte da
Barca, ascendentes do Provedor da Real Irmandade de Santa Beatriz da Silva,
Alfredo Côrte-Real.
Para
além da sua origem nobre, a jovem Beatriz tinha uma beleza exterior que a
evidenciava perante as outras jovens do seu tempo.
Conta-se
que o seu rosto, por ser tão belo, foi usado para ser modelo da pintura da
imagem da Virgem Maria. Porém, a jovem Beatriz só acedeu por pedido de seu pai,
mas fechou os olhos por não se achar digna de ser usada para modelo da Virgem
Maria a quem tanto amava.
O
original deste quadro atualmente está na Santa Casa da Misericórdia de Campo
Maior e uma cópia venera-se na Igreja do Mosteiro da Imaculada Conceição de
Campo Maior.
Todos
os seus Biógrafos narram sua grande piedade e virtude desde sua infância, e os
testemunhos para o Processo de sua Canonização declaram que desde menina foi
devotíssima do mistério da Imaculada Conceição.
Na
Primavera de 1447, Beatriz foi para Castela, como
donzela da Senhora Dona Isabel, filha mais velha da Infanta Dona Isabel, que ia
casar-se com Dom João II daquele reino.
Beatriz
era bela e pudorosa. Esforçava-se por manter sua conduta irrepreensível em meio
a tantas frivolidades, ciúmes e vaidades. Porém apesar de tudo, certos
palacianos maliciosos e maldosos a caluniaram de ter secretos encontros amorosos
com o Rei.
A
isto não resistiu os ciúmes da Rainha Isabel, quando ouviu os rumores da
calúnia, começou a duvidar da fidelidade de seu marido o Rei e viu em Beatriz
uma possível rival. Queria então fazê-la desaparecer. Começou a arquitetar uma
maneira de fazê-la desaparecer.
O
ciúme é sempre engenhoso… Certa noite a Rainha convidou Beatriz para que a
seguisse e simulando querer contar-lhe um segredo, a levou por um solitário
caminho do palácio até chegar num lugar que tinha preparado de antemão. Ao passar
junto dele, a Rainha lhe deu um forte empurrão fazendo-a cair dentro do grande
baú, e cerrando-o rapidamente com chave, abandonou-a na escuridão.
Beatriz
gritou, suplicou … Era inocente nunca dera ouvidos aos galanteios, nem
salientara ambição alguma. Mas o ciúme da Rainha já se transformara em ódio e o
ódio é cego.
Beatriz
estava sepultada viva, as trevas a cercavam e faltava-lhe todo o auxilio
humano. Condenada a morrer asfixiada dentro de um baú! Era jovem e inocente. O
desespero rondava-lhe a alma.
Da
Terra nada podia esperar. Voltou-se então para o Céu. Entregou-se nas mãos de
Deus e se encomendou à Ssma. Virgem com grande devoção. A vida parecia fugir,
quando se viu envolta em vivíssima luz. E nesta luz divisou a Virgem
Santíssima, resplandecente como os raios do sol, vestida com hábito branco e
manto azul celeste, em seus braços um formoso Menino, ferindo com uma lança a
cabeça de um horrendo dragão. Depois de confortá-la com carinho maternal lhe
disse que dali sairia e que fundaria uma ordem consagrada à Imaculada Conceição.
Beatriz
agradecida, se entregou como serva e escrava, e consagrando sua virgindade se
ofereceu em corpo e alma ao serviço de sua Celestial Senhora a Mãe de Deus. A
Virgem Santíssima, depois de prometer-lhe que sairia daquele baú com vida,
desapareceu, deixando Beatriz numa felicidade indescritível.
Passados
porém, três dias, o Tio de Beatriz exigiu explicações da Rainha. Esta levou-a
ao lugar onde estava encerrada Beatriz. Levava a certeza de encontrá-la morta,
já cadáver, pois ninguém resistiria a tal suplício por muito tempo. Teriam
terminado, assim, as rivalidades. Mas terrível surpresa a aguardava. Ao abrir o
baú , em lugar de um cadáver hirto e lívido, sem vida, surgiu Beatriz, risonha
… formosa … cheia de vida … quase resplandecente. Parecia mais bela, com um
sorriso celeste a emoldurar-lhe o doce semblante.
Dois
sentimentos chocaram-se no coração da Rainha: a raiva e o pavor. Entre atônita
e apavorada, desfaz-se em lágrimas e cai aos pés da donzela com rogos de
perdão. Um abraço foi a resposta de Beatriz.
A
Rainha que arquitetara o desaparecimento da sua rival, sentiu-se humilhada ao
presenciar que o seu ato apenas servira para aumentar o prestigio da sua
vítima. E passados os primeiros momentos de emoção, Isabel sentiu a inveja
acordar em seu coração. Ordenou a Beatriz que abandonasse a Côrte.
Para
Beatriz, uma alegria, não sentia outro desejo. Três dias depois acompanhada
pelo seu Tio, abandonou a Côrte e dirigiu seus passos a Toledo.
O encerramento de Beatriz ocorreu no Paço Real de
Tordesilhas, e é possível que este acontecimento tivesse ocorrido
por causa de uma doença psiquiátrica da Rainha, uma enfermidade que a
acompanharia até à morte, daí a muitos anos.
Dona Beatriz da Silva, com a permissão da Rainha, decidiu sair
imediatamente da corte e empreendeu viagem para Toledo, para se recolher no Mosteiro de São Domingos.
Durante esta viagem encontrou dois monges franciscanos que lhe falaram da Imaculada Conceição.
Estes dois monges franciscanos, por discernimento, foram considerados como São Francisco de Assis e Santo António.
Na altura, ainda não tinha sido proclamado o dogma da Imaculada Conceição. Porém, entre os frades franciscanos, sempre tiveram a certeza deste dogma, por seu grande amor por Nossa Senhora.
No próximo vídeo continuarei a contar a história de Santa Beatriz, pois após se libertar do mundo, entrega-se a Deus inteiramente, mas mais pormenores, irei falar no próximo artigo.
Beatriz
nasceu em Campo Maior, Portugal, por volta do ano 1436-1437, filha de Dom Rui
Gomes da Silva, alcaide mor da cidade, e Dona Isabel de Meneses. Era a segunda
dentre os onze filhos, em uma família profundamente cristã e tendo como
mestres, os Religiosos Franciscanos que, ao par de sólida piedade,
incutiram-lhe um terno amor à Maria Santíssima, no mistério da sua Imaculada
Conceição.
Entre
outros, foram seus irmãos João de Meneses, que viria a ser o Beato Amadeu
Hispano, secretário pessoal e confessor do Papa Sisto IV, e dos Duques de
Milão, escritor místico e reformador da Ordem de São Francisco na Península
Itálica; e Dona Maria de Meneses, donzela da Rainha Dona Isabel, mulher de Dom
Afonso V de Portugal, que casou com Gil de Magalhães, 2.º Senhor de Ponte da
Barca, ascendentes do Provedor da Real Irmandade de Santa Beatriz da Silva,
Alfredo Côrte-Real.
Para
além da sua origem nobre, a jovem Beatriz tinha uma beleza exterior que a
evidenciava perante as outras jovens do seu tempo.
Conta-se
que o seu rosto, por ser tão belo, foi usado para ser modelo da pintura da
imagem da Virgem Maria. Porém, a jovem Beatriz só acedeu, por pedido de seu pai,
mas fechou os olhos por não se achar digna de ser usada para modelo da Virgem
Maria a quem tanto amava.
O
original deste quadro atualmente está na Santa Casa da Misericórdia de Campo
Maior e uma cópia venera-se na Igreja do Mosteiro da Imaculada Conceição de
Campo Maior.
Todos
os seus Biógrafos narram sua grande piedade e virtude desde sua infância, e os
testemunhos para o Processo de sua Canonização declaram que desde menina foi
devotíssima do mistério da Imaculada Conceição.
Por sua família ser ligada à nobreza, Beatriz foi para Castela,
como donzela da Senhora Dona Isabel, filha mais velha da Infanta Dona Isabel,
que ia casar-se com Dom João II daquele reino.
Na
corte castelhana, aos poucos anos foi considerada a dama mais formosa e gentil,
recebendo muitos pedidos de casamento de duques e de condes. Porém, por ciúmes da sua beleza, a Rainha Dona Isabel, sua
senhora, a encerrou num cofre, para que aí morresse, sozinha. Este encerramento, que ocorreu no Paço Real de Tordesilhas, ter-se-á devido a uns ciúmes da Rainha, alimentados por intrigas palacianas, acerca de um suposto interesse de Dom João II, seu marido, por Dona Beatriz, embora seja possível, na verdade, que este acontecimento tivesse ocorrido por causa de uma doença psiquiátrica da Rainha, uma enfermidade que a acompanharia até à morte, daí a muitos anos. Foi nesse cofre ou baú que a jovem Beatriz teve a visão de Nossa
Senhora, vestida de hábito branco com escapulário da mesma cor, com um manto azul. A Virgem Santíssima disse-lhe que ela sairia dali viva e que devia fundar uma ordem destinada a defender e honrar o Mistério da Imaculada Conceição. Quando a rainha disse onde estava Beatriz e julgando que após 3 dias já estaria morta, foi surpresa e milagre que Dona Beatriz da Silva, ainda estivesse viva, pedindo para sair
imediatamente da corte, tendo a rainha consentido. E assim, a jovem Beatriz deixa o mundo da nobreza e vai para Toledo, onde se recolheu no
Mosteiro de São Domingos, o Real, de monjas dominicanas, com o apoio de Dom
João da Silva, 1.º Conde de Cifuentes, seu parente, que morava na cidade com a
sua família, como muitos outros portugueses, que ali se tinham exilados na Crise
de 1385-1386. Ali, fica cerca de 30 anos, e longe do mundo, funda a Ordem dedicada à Imaculada Conceição de Maria.
Mas
antes que tal Ordem se concretizasse, Beatriz enquanto aguardava a aprovação
papal para a sua ordem, foi sinal de obediência, silêncio e virtude que mais em
pormenor irei falar no próximo artigo.
Começo com este vídeo o meu aprofundamento a respeito da Irmã Lúcia. A mensagem de Fátima e o Imaculado Coração de Maria, a meu ver, respondem a muitas das nossas indagações do nosso tempo... Por isso, nos últimos meses tenho feito vários artigos sobre estes temas e convido a todos que o quiserem que me acompanhem neste blogue. Em breve publicarei um artigo sobre Santa Beatriz da Silva que fundou a ordem da Concepcionistas dedicada ao Imaculado Coração de Maria. Em Fátima, a Virgem Maria disse que o seu Imaculado Coração triunfará. Por isso, comecei a estudar este dogma e toda a sua história que cada vez mais me surpreende porque desde há muitos anos, várias aparições de Nossa Senhora, em vários locais do mundo, falam do seu Imaculado Coração. E em Fátima, com Lúcia e a sua persistência e humilde obediência, percebi que a sua mensagem é profundamente atual e cada vez mais urgente nos nossos tempos. Convido-lhe a ler as Memórias da Irmã Lúcia que estão on line em
Desde os
primeiros séculos do cristianismo, a santidade de Maria era como que um bálsamo
de coragem nos tempos mais difíceis da perseguição de que eram alvo os
cristãos.
Assim escreveu Santo Irineu, que nasceu na Ásia Menor e foi discípulo de São Policarpo, que por sua vez conviveu diretamente com o Apóstolo São João, o Evangelista: “Assim como aquela Eva, desobediente, tendo
Adão por varão, porém permanecendo ainda virgem, foi a causa da morte, assim
também Maria, tendo já um varão predestinado e, no entanto, virgem obediente,
foi causa de salvação para si e para todo o gênero humano (…) Desta forma, o nó
da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria. O que a virgem
Eva amarrou por sua incredulidade, foi desamarrado pela fé da Virgem Maria”.
Com efeito, assim como um nó não é desamarrado enquanto não se passam os cabos
pelo mesmo lugar, mas de modo inverso, assim também a Redenção operou de forma
idêntica, mas de modo inverso ao da queda.” (Santo Irineu – século II)
No século III
d.C., Hipólito de Roma chama Maria de “madeira incorruptível” a “Virgem” e o
“Espírito Santo”, enquanto que Orígenes é o primeiro a chamar-lhe de “Toda
Santa” (panagía).
No século IV d.C.,
Metódio de Olímpia fala de Maria como “cheia de graça”, “imaculada”. S. Efrém é
ainda mais incisivo: “…em ti, Senhor, não há mancha nem há em tua mãe mancha
alguma” (Carmina nisibena 27,8). S. Gregório Nazianzeno começa a refletir sobre
a necessidade de uma purificação com antecedência (prokatharazeisa) em Maria
por obra do Espírito, em virtude de sua missão (Or. 38,12; cf. também S.
Hilário de Poitiers; S. Cirilo de Jerusalém; S. Ambrósio).
No Século V d.C,
autores cristãos começam claramente a falar da ausência de todo contágio de
pecado/mal em Maria (Prudêncio; “Teodoreto de Ancira”; Proclo; Hesíquo de
Jerusalém; S. Máximo de Turim). O hinoAkathisto, talvez desta época, exclama:
“Ó Imaculada”; “Ave coluna de sacra pureza”.
E com o passar
dos anos, os cristãos vão adotando cada vez mais esta consciência da Imaculada
Conceição de Maria.
Uma das ordens religiosas
que mais defendia a Imaculada Conceição de Maria foram os franciscanos. Assim São
Francisco saudava a Virgem Maria:
SAUDAÇÃO À VIRGEM
MARIA
(SÃO FRANCISCO DE ASSIS)
Salve, ó Senhora
Santa, Rainha Santíssima,
Mãe de Deus, ó
Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo
Santíssimo Pai celestial,
que vós consagrou
por seu Santíssimo e
dileto Filho e o
Espírito Santo Paráclito.
Em vós residiu e
reside toda plenitude da graça e todo o bem.
Salve, ó palácio
do Senhor!
Salve, ó
tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada
do Senhor!
Salve, ó manto do
Senhor!
Salve, ó serva do
Senhor!
Salve, ó mãe do
Senhor!
E salve vós
todas, ó santas virtudes derramadas,
pela graça e
iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos
fiéis, transformando-os de infiéis
em fiéis servos
de Deus!
Duns Escoto, atraído
pelo carisma de São Francisco de Assis, entrou na Família dos Frades Menores, e
em 1291 foi ordenado sacerdote. “Na época de Duns Escoto a maior parte dos
teólogos fazia uma objecção, que parecia insuperável, à doutrina segundo a qual
Maria Santíssima foi preservada do pecado original desde o primeiro momento da
sua concepção: de facto, a universalidade da Redenção realizada por Cristo, à
primeira vista, podia parecer comprometida por semelhante afirmação, como se
Maria não tivesse precisado de Cristo e da sua redenção. Por isso os teólogos
opunham-se a estes textos. Então, Duns Escoto, para fazer compreender esta
preservação do pecado original, desenvolveu o argumento é o da "Redenção
preventiva", segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima
da Redenção realizada por Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da
sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Por conseguinte
Maria é totalmente remida por Cristo, mas já antes da concepção. Os
Franciscanos, seus irmãos de hábito, aceitaram e difundiram com entusiasmo esta
doutrina, e outros teólogos – muitas vezes com juramento solene –
comprometeram-se a difundi-la e a aperfeiçoá-la.” (PAPA BENTO XVI - AUDIÊNCIA
GERAL de 7 de Julho de 2010)
E o passar dos
anos só demonstrou que os cristãos adotavam e acreditavam na Imaculada Conceição
de Maria, muito antes dele ser propagado como dogma pela Igreja Católica.
Então, eis que
numa família portuguesa “…educada num profundo espírito e virtudes cristãs”, e
com grande amor à Imaculada Conceição de Maria, nasce Beatriz da Silva e Menezes pelo ano de 1437 em Campo Maior no Alentejo.
Conhecer a vida dos santos é aprender com quem já viveu esta aproximação a Deus, estes caminhos de santidade quase que intocáveis.
No entanto, o ser humano imperfeito diante da perfeição de Deus, interroga-se se é possível chegar a Ele.
Será que é possível chegar à luz mais bela e mais pura de Deus?
Lembrei de Maria, a Mãe de Jesus, a Mãe de Deus, a Mãe da Igreja, a Mãe de todos nós, incluindo nós, os mais pecadores.
Eu sempre gostei
de Maria, e a sua imagem me fazia sentir a paz de Deus.
Desde o meu
nascimento, a presença da Mãe de Deus se fez sentir na minha história de vida.
Quando nasci, saí
já como morta pois não chorei. A minha mãe teve um parto difícil e demorado, e
foi ela que sentiu que já em seu ventre morria, quando agarrou-se às grades da cama
da maternidade para fazer força e colocar-me para fora pois os enfermeiros que
a assistiam diziam que ainda não tinha chegado a hora do meu nascimento. O atraso
do meu parto quase me tirou a vida, pois já nasci inerte e roxa, talvez já
morta. Enquanto os médicos me reanimavam, dando-me uma palmada para chorar,
como na altura se fazia para que os bebês chorassem ao nascer, a minha mãe
prometeu que se eu vivesse, Maria Santíssima seria a minha madrinha espiritual
de Batismo.
E realmente revivi,
sendo batizada uns meses depois deste primeiro milagre em minha vida, a 13 de
marco de 1966. Uma das fotos do meu batismo foi tirada, exatamente junto ao
altar de Nossa Senhora de Fátima.
Por isso, desde
criança, Maria acompanhou-me com especial ternura. Mesmo nas alturas em que
vivi longe da sua presença materna, Ela nunca me deixou órfã da sua proteção.
Sim, houve um
tempo em que a minha fé católica esfriou um pouco. Nessa altura vivia muito apegada
às coisas do mundo. Estava a viver uma fase profissional próspera, com uma
carreira na função pública estabilizada.
Foi uma altura em
que devido a tanta prosperidade financeira que fiquei realmente como que
inundada pela visão material e racional, tentando também enquadrar a minha fé
católica nesta minha visão mais moderna, nem que fosse contrário ao que ouvisse
na igreja.
Porém, Deus
quando ama, não nos quer longe Dele. E Maria, é a Mãe que nunca esquece os seus
filhos. E mesmo que estes filhos se afastem Dela ou mesmo a esqueçam ou a
desprezem, Maria tem um carinho muito especial que só quem é católico o
consegue sentir em plenitude quando a Ama, sem reservas.
Foi então que fiz
uns exames de rotina, e apareceu indícios de algo grave que levou o médico a mandar-me
fazer novos exames para avaliar a minha situação mais em pormenor.
Foram dias de muita
ansiedade em que olhava para a minha vida e tudo aquilo que estava a construir,
e que parecia inabalável, a desmoronar perante a minha fragilidade humana.
Marcado o dia em
que tinha uma nova consulta para ser reavaliada, enquanto aguardava que fosse
atendida, lembrei-me de recorrer à Imaculada Conceição de Maria. Naquela
ocasião, por estar encharcada com as coisas materiais do mundo, não acreditava
muito neste dogma da Imaculada Conceição de Maria, apesar de ter sido aprovado
pela Igreja Católica. À minha mente racional parecia-me demasiado obscuro.
Acreditar na Imaculada
Conceição de Maria é acreditar que Maria, mãe de Jesus nasceu com a Graça especial
e o privilégio de ser preservada do pecado original.
Assim declarou o Papa
Pio IX, no dia 08 de dezembro de 1854, juntamente com 54 cardeais, 43
Arcebispos, 100 Bispos e mais de 50 mil romeiros, que vieram do mundo todo, na
Bula “INEFFABILIS DEUS”: “A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro
instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente,
em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada
imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e
por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”
O dogma aponta
para dois pontos importantes:a) a Virgem
Santíssima foi preservada do pecado original desde o princípio de sua
concepção;b) a Virgem
Santíssima recebeu este privilégio, apesar de humana, por causa de Jesus
Cristo, gerado em seu ventre.
Apesar de todas
estas belas palavras, tudo isto era demasiado complexo para minha consciência
racional e prepotente.
Porém, a Virgem
Maria, minha madrinha espiritual de batismo sempre esteve ao meu lado, mesmo
nestas alturas em que me julgava uma pessoa inteligente e moderna, que já não acreditava
em histórias cientificamente improváveis.
Sim, acreditava que estas histórias religiosas de santos e santas, tinham um fim de levar-nos a Deus, com lições de vida, como que sendo fábulas,
mas daí acreditar que seriam verdadeiras, era um passo que o meu espírito cheio
de mim mesma não conseguia acreditar. Eu até me julgava muito crente em Deus, e
que tinha uma grande devoção a Maria, porém não acreditava em tudo que a minha
religião católica dizia.
Lembro-me bem que
na altura, enquanto esperava o veredicto final do médico, pedi à minha Mãe do
céu, com uma certa prepotência, de que hoje me arrependo, dizendo-lhe: - Minha Mãe
Santíssima, pela sua Imaculada Conceição, se é verdadeira e para que eu acredite,
me livre de uma doença grave, neste momento.
Quando entrei no consultório
médico, quase que convicta que iria estar diante de uma má notícia, eis que o
médico me diz que afinal o que julgava não era o que tinha, e que podia ter uma
vida normal.
Diante daquela
notícia, senti-me como que tendo diante de mim, uma nova oportunidade de vida. Foi
a partir daí que comecei a tentar conhecer melhor a Imaculada Conceição de
Maria.
“Ao sexto mês, o
anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a
uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da
virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de
graça, o Senhor está contigo.» (Lucas 1, 26-28)
E fiquei ainda
mais surpreendida, quando ao aprofundar mais e mais sobre este tema, que a Imaculada Conceição está presente em tantas
aparições da Virgem Maria e que começou a ser divulgado e seguido pelos fiéis e
santos da Igreja católica, ainda muito antes de ser proclamado como dogma e que
a primeira santa portuguesa, a Santa Beatriz da Silva fundou uma ordem dedicada
totalmente à Imaculada Conceição que até os dias de hoje, em vários países do
mundo, assumiu para si a clausura para rezar por toda a humanidade.
A partir deste
conhecimento da Imaculada Conceição de Maria, cujas as raízes bíblicas vem
desde o Antigo Testamento e complementam-se no Apocalipse, comecei a perceber melhor as aparições de Nossa Senhora em Paris, em Lourdes e em Fátima.
Sim, nas
aparições de Fátima aos três pastorinhos, a Imaculada Conceição de Maria vem
dar ao mundo um alerta que se prolonga aos dias de hoje.
Por isso, vou dedicar
vários artigos a este tema, que abraça a história da Igreja e a minha própria
história nos últimos anos.
Conhecer melhor este dogma da Imaculada Conceição de Maria concedeu-me a graça de conhecer melhor a minha religião católica, compreendendo mais em pormenor a minha
fé e ajudou.me a pratica-la de forma mais amadurecida.
Por vezes, não
conhecemos muito bem os dogmas da Igreja católica e nem o que podem representar
na nossa fé. Porém, na minha experiência de vida, tenho comprovado o quanto perdi em minha espiritualidade por me
esquivar de aprofundar e estudar toda esta riqueza espiritual do catolicismo, deixando
de beber deste manancial de graças, esta água viva que brota da Igreja católica
que está ali tão acessível e ao mesmo tempo tão menosprezado pela nossa prepotência. Confiamos nas nossas próprias opiniões sem primeiro dar pelo menos uma
oportunidade de ler, aprofundar e ouvir, pois para as coisas de Deus, temos de
ter ouvidos para ouvir como disse Jesus tantas vezes nos Evangelhos.
“Saiu o semeador
a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho;
foi pisada, e as aves do céu a comeram. Outra caiu no pedregulho; e, tendo
nascido, secou, por falta de humidade. Outra caiu entre os espinhos; cresceram
com ela os espinhos, e sufocaram-na. Outra, porém, caiu em terra boa; tendo
crescido, produziu fruto cem por um. Dito isto, Jesus acrescentou alteando a
voz: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!"(Lucas 8, 5-8)
Parece que isto
de ter ouvidos para ouvir é um contrassenso, mas ter ouvidos para ouvir é
exatamente este preparar e parar um pouco a nossa vida cheia de nós mesmos e
simplesmente ouvir como fez Maria, a irmã de Marta aos pés de Jesus. Podemos ser
a Marta que se enche de tarefas, pois há tanto que fazer. Mas basta que
tenhamos este momento aos pés de Jesus e escolhemos a melhor parte.
“Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa
aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã,
chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta,
porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor,
não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que
me venha ajudar.» O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e
perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor
parte, que não lhe será tirada.»" (Lucas 10, 38-42)
Esta melhor parte
é ir mais além, pois quem ama, vai para além das aparências e quer conhecer,
estar perto, ouvir e preparar o coração para apenas estar ali, sem reservas e
ouvir o seu amado.
Jesus quis nascer
de Maria e por isso, ao lado de Maria, tenho comprovado na minha vida que
igualmente aprende-se muito mais sobre Jesus.
Por isso, ao
querer conhecer mais sobre este dogma da Imaculada Conceição de Maria, mais
cresci na minha união com Jesus, e em Deus, com uma fé mais consciente e
concreta.
Ao conhecer
melhor o dogma da Imaculada Conceição de Maria, surpreendi-me, pois, esta riqueza
espiritual de fé, me levou a conhecer melhor a Vontade de Deus para a
humanidade e especialmente para a minha vida, e igualmente me ajudou a ter uma
verdadeira devoção à Mãe de Jesus.
“Existe uma ligação orgânica entre a nossa
vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé:
iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for recta, a
nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos
dogmas da fé (Cf. Jo 8, 31-32).”(Catecismo da Igreja Católica nº 89)
Antes do meu próximo artigo convido-vos a ver e ouvir estes vídeos que certamente irão melhor explicar este dogma da Imaculada Conceição:
Padre Paulo Ricardo explica teologicamente a Solenidade da Imaculada Conceição:
Nesse vídeo, o Dr. Scott Hahn explica maravilhosamente o dogma da Imaculada Conceição de Maria e nos mostra onde este se encontra nas Sagradas Escrituras. O Dr. Scott Hahn foi protestante e converteu-se ao catolicismo após conhecer mais profundamente a Igreja Católica, pelo que os seus conhecimentos são riquíssimos em termos bíblicos, históricos e dogmáticos:
No próximo artigo falarei da Santa Beatriz da Silva e como ela criou uma ordem religiosa totalmente dedicada à Imaculada Conceição.